Pandemia por José Lobo Vasconcelos

São tempos estranhos, os que temos vivido recentemente!
A vida a que nos habituámos, foi de repente abanada por um vírus, que de uma forma muito agressiva, embora invisível, tudo ameaçou no mundo inteiro, não escolhendo sexo, raça, estracto social ou idade.
Por outras palavras sem qualquer tipo de descriminação.
A Santa Casa da Misericórdia de Almeirim, desde logo, tomou medidas de segurança e prevenção, tendo para isso posto em funcionamento um plano de contingência, com efeito a partir da segunda semana de Março.
A nossa preocupação teve como prioridade a defesa e protecção dos nossos utentes e colaboradores e dessa forma prevenir a disseminação e contágio, bem como garantir a continuidade dos serviços que tão necessários são aos residentes do Lar de São José, bem como à assistência domiciliária que prestamos.
Desde logo aplicamos as normas que mais tarde vieram a ser indicadas pela Direccao Geral de Saúde e Instituto de Segurança Social.
Houve a preocupação de alternar equipas de assistência, de forma a impedir contágio entre os colaboradores no activo. Aplicamos quarentenas, quando surgiram suspeitas ou condições que pudessem ter desencadeado algum contágio.
Até ao momento em que escrevo não tivemos nenhum caso de contágio dentro das nossas instalações.
Mas no país sofrem ainda bastantes doentes com a pandemia e muitas famílias com o luto dos que perderam a vida na solidão de uma cama de hospital, longe dos seus mais queridos.
Não estamos ainda em tempos de cantar vitória e por mais que apliquemos regras de segurança, o nosso inimigo é invisível e poderá sempre atacar onde menos atentos estivermos.
No entanto, nesta etapa nova de abertura cautelosa da sociedade, agora decretada pelo Governo, gostava de agradecer publicamente a todos os que têm estado envolvidos nesta luta diária.
Agradeço especialmente a tantos colaboradores da Santa Casa que estão na chamada ‘linha da frente’, diariamente envolvidos na vida do Lar de São José e no acompanhamento domiciliário de quantos não podem por medidas de segurança usufruir temporariamente das nossas instalações.
Agradeço a cada um em especial, a sua disponibilidade, coragem, dedicação e empenho, sobretudo tendo em conta as condições especiais de trabalho e os cuidados redobrados de segurança exigidos.
Agradeço também publicamente em nome da Santa Casa, o trabalho de todos os profissionais de saúde, das forças de segurança, bombeiros, fornecedores e outras organizações e indivíduos anónimos que nos ajudam quotidianamente e sem cuja ajuda esta fase da pandemia teria sido muito mais difícil de gerir.
Quero também agradecer a generosidade de todos quantos responderam aos nossos pedidos de dádivas de bens e serviços nomeadamente electrodomésticos, como televisões, para melhorar as novas condições de segregação impostas aos nossos residentes bem como equipamento de protecção individual (EPI) por vezes tão difícil de encontrar.
Um enorme bem hajam a todos.
Quero por último agradecer, aos serviços da DGS e SS nas pessoas da Dra. Ana Simões e Dr. Renato Bento, bem como ao Senhor Presidente da Câmara de Almeirim, Pedro Ribeiro a atenção e preocupação com que nos acompanharam nestes sucessivos Estados de Emergência.
Uma palavra de agradecimento ao nosso Capelão R. Padre José Abilio, pelo apoio dado a todos aqueles que através das transmissões directas do Almeirinense puderam assistir com regularidade a Sagrada Eucaristia.
Reconheço também o excelente trabalho prestado pelo Almeirinense, não só na transmissão de cerimónias religiosas das diversas confissões religiosas, mas também no seu dever quotidiano de informar a comunidade local sobre assuntos importantes ao nosso dia a dia.
Como sabemos a luta ainda não acabou e não podemos de maneira nenhuma baixar a guarda, pelo contrário começamos agora, por força das medidas mais flexíveis, um período em que devemos estar ainda mais atentos e mais exigentes com a segurança, higiene e protecção, de cada um de nós e daqueles que estão ao nosso cuidado.
Mas a vida é assim mesmo, aprendemos com o passado, para viver melhor o presente, prevenindo o futuro com maior confiança.
Como disse Santo Inácio de Loyola, fundador dos Jesuitas, devemos agir na nossa vida como se tudo dependesse de nós, sabendo no entanto, que na realidade tudo depende de Deus.
Peço por isso a Deus que nos acompanhe e a Nossa Senhora da Misericórdia a proteção do seu manto que a todos envolve.

José Lobo de Vasconcelos
Provedor

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