Pedro Bento à conquista da Patagónia

Pedro Bento continua a senda de participar nas 10 provas de BTT mais duras do Mundo e para 2016 está aí a participação na prova do Chile, mas concretamente
na Patagónia. Em entrevista a O Almeirinense conta com esta a ser feita a preparação e que apoios tem tido na difícil missão.

Pedro, depois de Itália em 2014 como surgiu este desafio?
Este desafio surge na sequência do meu projeto, o de participar e terminar as 10 provas de BTT que se intitulem como as “mais” do mundo: a mais dura, a mais antiga, etc… Esta é a prova que além de se realizar na maior cordilheira montanhosa do mundo é considerada pelas várias revistas da especialidade como a prova por etapas mais perto do “fim do mundo”- No Chile, mais concretamente na Patagónia.

Que tipo de prova é?
Esta é uma prova que já vai na 8ª edição e que começa a 25 de janeiro e que termina no dia 30 desse mês. Ao longo de 6 etapas, com mais de 350 atletas, vamos percorrer perto de 400 km e mais de 11 000 m de subida “acumulado”. O ponto de partida da prova está localizado na reserva natural de Huilo Huilo, que foi declarado património mundial pela UNESCO em 2007, e termina em Pucón, principal destino turístico do Chile. Para quem quiser saber um pouco mais e acompanhar a prova fica aqui o site: https://www.transandeschallenge.com/

Quais as maiores dificuldades?
As principais dificuldades são as subidas exigentes, os trilhos muito técnicos, terreno muito rochoso, areia vulcânica, existe um pouco de tudo. É a única prova onde passamos por 6 vulcões alguns dos quais ainda ativos. Todas estas características reunidas fazem a verdadeira dificuldade da prova.

Esta é uma das provas que qualquer atleta coloca no rol de prova a tentar fazer um dia? Das tais que são sonhos?
Depende dos objetivos de cada atleta! Fazia parte dos meus e por isso vou fazê-la. Penso que o sonho de qualquer atleta será sempre superar-se a si próprio, mas se o puder fazer em locais que são considerados dos mais bonitos do mundo, então sim torna-se uma prova de sonho. É o caso!

Como tem sido a preparação?
A preparação tem sido muito difícil. Não é fácil conciliar os treinos com o trabalho. Muitos dos treinos têm uma duração de 3 a 6h e isso torna-se muito cansativo e difícil de conciliar com o dia a dia, semanalmente preciso de despender entre 15 a 25 horas só para treinos. No entanto, tenho tido muita sorte com o tempo: muito frio mas pouca chuva. Vamos ver como vai ser daqui para a frente.

pedro-bento

De que forma é que aqui o Pedro consegue recriar as condições que vai encontrar?
Sempre que posso tento ir treinar para a Serra da Estrela. Este ano já lá estive vários dias a treinar, sempre em condições muito complicadas: temperaturas muito baixas, com chuva e neve. É uma zona que dá para recriar algumas das condições que vou encontrar na prova, principalmente no que diz respeito à quantidade de subidas. Quando não posso ir para a Serra da Estrela tento ir para a serra do Montejunto ou para Sintra que ficam mais perto.

Quais são os objetivos desportivos? E os extra-desportivos?
Em termos de objetivos desportivos vou tentar ser o 1º Português e ficar nos primeiros 20 lugares do meu escalão, que neste momento já conta com aproximadamente 100 atletas. Sei que não vai ser fácil pois em provas deste género participam muitos atletas profissionais e com bastantes apoios. À parte destes objetivos o principal é mesmo cruzar a meta como Finisher e terminar a prova sem quedas. Os objetivos extra-desportivos passam por conhecer um país diferente, culturas diferentes e principalmente fazer novas amizades e reencontrar amigos que já participaram comigo noutras provas no estrangeiro.

Uma prova destas é mais que uma competição desportiva?
Muito mais do que uma competição. É difícil de explicar o que sentimos quando estamos num evento deste tipo. O ambiente de camaradagem é sempre excelente, atletas de várias nacionalidades e idades criam laços de amizade que vão sempre para além deste tipo de provas. Toda a prova é um evento de socialização e de relaxe ao mesmo tempo.

É uma pessoa diferente após superado um desafio desta natureza?
Em todas as provas que terminei passei por algumas experiências muito difíceis, algumas delas muito complicadas: quedas, hipotermia e desidratação são apenas alguns exemplos. Cheguei quase ao ponto de deitar a toalha ao chão, principalmente no Ironbike em Itália. Mas ao conseguir ultrapassá-las consegui perceber que somos muito mais fortes do que pensamos. Nas provas como na vida muitas vezes vamos ao limite do nosso corpo, mas cada vez que caímos e nos levantamos ficamos mais fortes e com uma nova perspetiva das coisas.

E apoios?
Os apoios são sempre muito poucos. Todas as despesas da prova e viagem são pagas por mim. O único patrocinador que está comigo desde o início do projeto é a Ribabike, através da Anabela e do Miguel que sempre me apoiaram dentro das suas possibilidades. Este ano tenho também o apoio da marca de suplementação da Victory Endurance, através do Srº Vitor Faria, que me ajudou com a parte da suplementação, que me surpreendeu positivamente pela sua alta qualidade e da Óptica Vanessa, pela D. Helena Fidalgo, que se mostrou bastante disponível para ajudar mais um atleta almeirinense na concretização dos seus sonhos. Por último, a empresa Galão Publicidade também me ajudou com as impressões de equipamentos. Sem esquecer o apoio familiar que tem sido muito importante! Um muito obrigado a todos.

Estamos a falar de algo que é muito exigente também no plano financeiro e de material?
Um orçamento médio para uma prova deste género varia bastante. Pode variar consoante o valor da inscrição e o país em que a prova se realiza. Depende também da forma como encaramos a prova e das despesas inerentes aos treinos. Se fizermos contas a tudo: provas de preparação, estágios, material de desgaste, inscrições, viagens, alojamentos, alimentação, etc ,etc… Os gastos previstos para a participação em provas deste género ronda sempre os 4000/ 5000 Euros.

.