“IVA da restauração é um disparate”

Pedro Barroso é o cabeça de lista do Partido Democrático Republicano, por Santarém, e em entrevista a O Almeirinense mostra-se confiante na eleição de um deputado prometendo lutar pela baixa do IVA na restauração e critica a pouca aposta na indústria na região.

O que o levou a aceitar um lugar como cabeça de lista por Santarém?
Marinho e Pinto veio a minha casa em Riachos fazer-me pessoalmente essa proposta. Reflecti muito, pois sempre me considerei um independente de esquerda sem partido, decidindo pela minha cabeça as grandes causas da Cultura e da Sociedade. Achei contudo, que após uma vida sem nunca ter integrado uma campanha partidária, desta vez – embora como independente – o consenso “Democracia, República, Liberdade, Solidariedade, Justiça” e a luta por um Abril nunca esquecido, eram motivos sérios para dar a cara e avançar. Estamos todos tão fartos dos mesmos protagonistas que puseram o país de chapéu na mão,que há que ter essa coragem.

Ser realmente uma pessoa do Distrito defenderá melhor os interesses dos ribatejanos?
Vejo com revolta muitos candidatos propostos, sobretudo nos grandes partidos do poder, serem quase aleatórios, sem conhecerem na realidade o círculo pelo qual concorrem. O cabeça de lista do PS anteriormente, foi candidato por Setúbal. A número um do PSD foi-o no Porto!
Eu sou daqui. Aqui fui menino. Aqui tenho os amigos de infância. A escola de Riachos tem o nome de meu pai. Habito uma casa que, com a minha neta, entra já em 5ª geração. Conheço o Ribatejo palmo a palmo, e as pessoas conhecem-me. Daqui saí para atuar em todo o Mundo e aqui sempre regressei. Só assim entendo ser-se representativo; só assim deveria ser para todos.

Que ideias tem como necessidades para o Distrito?
O Ribatejo padece de um afogamento pela vizinha região de Lisboa e em muitos casos sofre dessa dependência. A rede de transportes, o regime florestal, a proteção ao fogo, o enoturismo e turismo equestre, a proteção à natureza e ao património abandonado, o combate intensivo à poluição industrial de ar e de rios, o combate aos erros urbanísticos, o auxílio ao comércio local e ao pequeno e médio empresário, o aproveitamento em mecenato cultural das grandes superfícies e firmas aqui instaladas e o potenciamento de oferta de emprego, parecem ser as emergências maiores.

E no caso particular do concelho de Almeirim?
Em Almeirim, – além da lavoura e dos vinhos, que têm ótima imagem de marca nacional- o grande polo de emprego, a nível industrial, é só a Compal e, a nível de comércio, a restauração. Sinto que se poderia dinamizar mais a zona industrial, e vejo também que, com as grandes superfícies, o pequeno comércio sofre demais e anda a fechar. Deveria haver espaço para todos.

Sendo este um concelho agrícola e com muita restauração, há propostas concretas nestas áreas? A descida do IVA na restauração é urgente? Vai lutar por isso?
Almeirim é o paradigma – pela sua intensa atividade de restauração – de que a política de manter os 23% no IVA foi e é um verdadeiro disparate. Essa é uma luta urgente e prioritária que assumirei enquanto deputado. Provavelmente, agora, todos o dirão; mas quando foram poder e o podiam ter feito, porque não fizeram?

O que será um bom resultado para o PDR no distrito?
Retiraram um deputado ao distrito. Agora são apenas nove. Como costumo dizer para os companheiros de luta, aqui, no Ribatejo, apenas desejo um décimo a mais que a média nacional que o partido obtenha. Consideraria como uma confiança pessoal em mim e na minha independência. Aliás, muito gostaria que as pessoas aprendessem a votar em pessoas, e não em cores, como se isto fosse futebol. É preciso conhecer quem são os candidatos. Se as pessoas que podem ser eleitas são representativas e sérias. Se elegermos um deputado, terei imensa honra em representar o distrito na AR. Dois, seria estupendo, claro.

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