“É muito urgente baixar o IVA da restauração”

O antigo ministro e secretário de estado em vários governos socialistas, Vieira da Silva, aceitou o desafio de concorrer pelo distrito nas próximas legislativas. Em entrevista a O Almeirinense revela o que vai fazer no parlamento pelo concelho de Almeirim.

O que o levou a aceitar um lugar como cabeça de lista por Santarém?
Sou o primeiro candidato pelo Partido Socialista por três razões: porque o Secretário-Geral do PS me convidou; porque recebi um apoio generalizado dos socialistas do distrito e porque tenho uma ligação particular à região, quer do ponto de vista político quer do ponto de vista pessoal e afetivo. É para mim um orgulho e um prazer poder desempenhar este papel.

Como viu a polémica criada com a troca de Sónia Sanfona por Idália Serrão? O PS não podia ter gerido melhor o caso?
O PS tem um processo muito participado de escolha de candidatos onde relevam as posições regionais, as nacionais e as do Secretário-Geral. Foi da confluência destas vontades que resultou a lista que vai a votos. Num partido democrático como é o PS há sempre um leque alargado de opiniões, nem sempre coincidentes, que vão sendo alvo de ajustes ao longo do processo até se chegar a uma solução equilibrada. Estou convicto de que esta é uma boa lista para Santarém, uma lista capaz de vencer as eleições e de representar com muita qualidade os interesses da região e das suas populações.

Que ideias tem como necessidades para o Distrito?
Em boa medida, as necessidades regionais não se distinguem das do país no seu todo. Portugal precisa de uma nova política e de uma nova maioria capaz de ser uma alternativa de confiança que rompa com o caminho do empobrecimento e que promova o aumento do rendimento das famílias que têm sido massacradas pelo desemprego, pela baixa dos salários e pelo aumento de impostos. Precisamos de uma política que ponha fim ao drama da emigração forçada que, com o governo do PSD e CDS, regressou ao nosso país e à nossa região. Hoje o nosso distrito produz menos riqueza, tem menos emprego e, nestes quatro anos, viu a sua população diminuir em cerca de 13 mil pessoas! Mas é verdade que duas necessidades têm talvez a primazia: ajudar a economia regional a recuperar e a consolidar-se – seja na agricultura e floresta, seja na indústria ou no turismo, onde possuímos recursos naturais e humanos que podem e devem ser valorizados – e melhorar a qualidade dos serviços públicos, com um particular destaque para a Saúde, onde as carências, as incertezas e as dificuldades de acesso são muito visíveis! Tanto na cobertura por médicos de família como na existência de uma rede hospitalar de qualidade e próxima das pessoas…

E no caso particular do concelho de Almeirim?
No caso deste concelho, estamos a falar de uma terra extraordinária, que precisa de apoio no sentido da valorização da produção. E isso traduz-se numa aposta na excelência dos produtos agrícolas da região, ajudando a criar condições para que da sua transformação resultem mais-valias para os agricultores. Mas há também a questão das infraestruturas, à qual estamos atentos. Embora no atual contexto a expansão das redes de infraestruturas rodoviárias não seja uma prioridade, há que reconhecer que a atividade económica desta região beneficiaria muito caso houvesse condições para estabelecer uma ligação entre a A13 e A23 que retirasse o trânsito pesado de dentro de Almeirim, Alpiarça e Chamusca, por exemplo, e colocasse a produção na rede de autoestradas em direção ao norte…

Sendo este um concelho agrícola e com muita restauração, há propostas concretas nestas áreas?
O aumento do IVA na restauração foi um erro com consequências negativas em termos económicos e sociais. O concelho de Almeirim bem o sentiu e, por essa razão, sempre se bateu contra ele. Evidentemente que a melhor proposta concreta que podemos adotar nesta matéria é a defesa da baixa do IVA da restauração que, no caso concreto de Almeirim, beneficia toda uma cadeia de produção que vai até à própria agricultura, uma vez que os restaurantes se abastecem essencialmente na região.

A descida do IVA na restauração é urgente?
Muito urgente! Há muito que o PS a defende, de forma consistente!

Vai lutar por isso?
Estou a lutar por isso. Toda a candidatura está a lutar por isso em sintonia com o PS, que assumiu o compromisso de corrigir essa má opção. Essa medida faz parte do nosso programa e não deixaremos de a cumprir!

O que será um bom resultado para o PS no distrito?
Para o PS, o objetivo é ganhar as eleições com um resultado que nos permita mudar o Governo e as políticas em curso no nosso país. Em Santarém esperamos ter um resultado que contribua para esse objetivo. A abstenção, ou o voto de protesto que não elege deputados, não são verdadeiras alternativas.

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