Uma vida intensa entre desporto, hotelaria e desilusões

A rubrica “Por onde anda…” ainda está no início e temos tido o prazer de rever amigos, ouvir histórias muito interessantes e ajudar a mostrar aos mais novos factos relevantes. Nesta edição colocamos tudo em discurso direto porque o José Simões agarrou- -se ao computador e contou muitos dados interessantes da sua vida.

“Comecei a trabalhar, aos 14 anos numa tipografia, na Chamusca, terra onde vivi a partir dos sete anos. Fiz a quarta classe e…), nada mais podia fazer! Comecei por ser adjunto de um professor particular, onde aprendi muito mais e ajudei a levar a exame da 4ª classe muitos adultos, tal era a necessidade de começar a trabalhar cedo e não haver tempo para a instrução primária sequer. É nesse percurso que venho treinar a Almeirim, onde militavam cerca de 12 jovens da Chamusca, em todos os escalões.

O Mister Chapa disse-me que ficaria e, assim começou a minha carreira no UNIÃO, teria 15 anos, fiz uma época de principiante e fui Campeão Distrital de Juniores no ano seguinte, época 65/66, juntamente com Velhas Glorias do União tais como! Batista, Eurico, Simão, José Rodrigues, Quim Laudácias, Bé, Jardim, Leopoldo, Teodósio, Agostinho, Malfeito, que nada nem ninguém pode ou deve omitir ou excluir do Historial do UFCA.

Passei aos Seniores na época 66/67 e subimos à 3ª Divisão Nacional numa pole histórica, onde participámos na época 67/68 com o Treinador Isidro de Alpiarça, Ex- Glória do Benfica.

Seguidamente, vem o Serviço Militar obrigatório e o meu irmão António Simões, também jogador do União, é morto em combate em Tete, Moçambique. Recebi o telegrama do Ministério da Guerra, precisamente num Domingo quando me preparava para integrar a convocatória para um Jogo.

Toda a minha família passou por esse sofrimento doloroso, acompanhado pelo pesar de muitos dirigentes, companheiros e adeptos de Almeirim.

Nessas épocas o União mobilizava centenas de sócios, adeptos e simpatizantes, obtendo grandes vitórias com o Estrela Portalegre: Treinador jogador Mário Coluna; com o Nazarenos: Treinador jogador Cavém; e, embora derrotados não esquecemos o jogo com o Benfica e o Tirsense para a Taça de Portugal e muitos outros.

Terminado o Serviço Militar é tempo de pensar em Emprego, o que não se torna difícil pois, o União tinha como Presidente o Senhor José Crespo, Empresário de Almeirim e, também, Comandante dos BVAlmeirim. Um contrato com o União incluía o Emprego de vendedor de máquinas e ferramentas que se prolongou até ao 25 de Abril de 1974. No entretanto aconteceu a constituição de família 1973 e com a seguinte curiosidade, tal o amor à camisola, por haver jogos ao Domingo, combinei com a minha noiva, hoje esposa, fazer o casamento numa segunda-feira, o que aconteceu a 12 de fevereiro de 1973. Pós 25 de Abril de 1974 (…)

Tudo mudou em Portugal, sucedem- -se várias mudanças no plano político e económico e também o emprego se complica originando procura de nova colocação que acontece com a abertura do GRUPO QUATRO com muito trabalho e muito êxito. Acontecendo neste período o nascimento da minha primeira filha Catarina (1975).

Mas, nem sempre tudo corre como desejamos e num jogo com o Vilafranquense sofro uma lesão grave no joelho esquerdo que me atira para uma situação desesperada, porquanto fiquei com incapacidade para o trabalho e consequentemente para o futebol. Foi um período muito difícil, que incluiu muito tempo parado, até que a Direção do União se dispusesse a tratar de mim.

O Clube não tinha, ainda, seguros de acidentes para jogadores e, só foi possível, graças a uma pessoa a quem sempre agradeci e continuo a agradecer, José Joaquim Azoia Bento, tomou o assunto em mãos e pagou toda a despesa e a cirurgia na Clínica Oliveira Martinho em Lisboa, com o Dr. Camacho Vieira e Enfermeiro Adjunto Florindo Alegria. Neste período acontece o nascimento da minha segunda filha Susana (1977).

Pena foi, que, passado o tempo da recuperação, tudo ruiu, pois, havia uma rutura do ligamento cruzado que o Sr. Doutor não vislumbrou.

Sem mais apoio da Direção do União, termina aí a minha ligação ao Clube e ao futebol, só voltando a aproximação em 1982 como Dirigente para o Futebol, depois de ter saído do Grupo Quatro. Seguidamente, enveredei por outra atividade fora de Almeirim e fez com que o afastamento voltasse a acontecer.

Cometemos erros, quando não estamos preparados, e acreditamos em pessoas que não o merecem, foi o meu primeiro grande erro, que me obrigou a sair de Almeirim por um período de 8 anos com a família e arrastou-me para uma situação muito má.

Por força das circunstâncias, volto a Almeirim e ao União em 1990 como adjunto do Mister Mário Wilson filho, com promessas financeiras que não se concretizaram o que me obrigou a abandonar o União. Ainda me convidaram para Treinador principal da equipa sénior por despedimento de Mário Wilson mas, estava determinado que não podia viver de mentiras e falsas promessas, voltando à atividade de restauração, mais uma vez com o apoio da pessoa que acima referi, confiando mais uma vez na minha pessoa. Foi um período de muito trabalho, mas foi proveitoso.

Como Empresário voltei a relançar- -me e abri o Restaurante D. João II com êxito, que me levou a adquirir o Restaurante das Piscinas (Foi pena a incompetência de quem mandou construir aqueles espaços sem consultarem gente com experiência no ramo) originando o abandono daquele espaço por incapacidade de exploração com imenso prejuízo moral e financeiro. Até que cometo outro grande erro, aceito participar numa Comissão Administrativa do União, por, ao fim de três Assembleias não haver listas para gerir o Clube.

Acreditei no Presidente da Assembleia Geral e arranjei um grupo que se propôs tirar o União da situação de dívidas na ordem dos 20 000 contos existentes e um encargo com a equipa principal de 3 000 contos, sendo as receitas legais na ordem dos 1 000 contos.

Com sócios como Carlos Almeida, Romeu Fulgêncio, Carlos Cardoso e outros grandes sócios do União que se comprometeram, também, eliminar a situação difícil que grassava no União, só foi possível com muito trabalho e prejuízo pessoal de todos nós, ainda assim suportámos outras situações muito difíceis, como a situação do Andebol feminino, onde o União apenas dava o nome à modalidade e cujo patrocinador e dono era uma empresa da região. Lidámos com o desmoronar da estrutura e as dívidas existentes, chegando eu, como Presidente a ser ameaçado de penhoras.

Para além destes problemas, difíceis, ainda tive que resolver o problema da equipa sénior de futebol, pois não havia dinheiro suficiente para o encargo, foi preciso renegociar todos os contratos para uma verba que fosse possível suportar! Ainda hoje alguns jogadores não aceitando o que aconteceu, olham- -me de lado.

Esta situação empurrou-me, também, e, novamente para um período muito difícil com a passividade das pessoas que foram as principais responsáveis. Termina assim, e, mais uma vez a minha vida de Empresário, sendo obrigado a entrar no Desemprego até à reforma antecipada que aconteceu em 2003. Talvez haja males que vêm por bem! Pois, procurei alcançar o que sempre me havia sido impossível de concretizar e, tirando vários cursos técnicos e académicos consegui fazer provas para o Ensino Superior e entrar na Escola de Gestão de Santarém para uma licenciatura de Administração Pública e Autárquica na via Bolonha, que acabei em 2010. Participando ainda nas Jornadas Ibéricas de Economia Social de 2009, com um projeto de Apoio aos Reformados e Desempregados.

Como passagem muito breve, refiro a intenção que tive, depois da licenciatura, de achar que podia ser útil ao Concelho através da política e fui eleito para a Assembleia de Freguesia pelo PSD em 2009. Não conto a ninguém mas, considero este Órgão Autárquico, inútil e um sorvedouro de dinheiros públicos! Porquê? Porque é uma duplicação de serviços com discussões inúteis e pesadas para os contribuintes com um orçamento anual superior a 500 mil euros à época. Fiz um esforço para concluir o mandato e jurei para nunca mais. Filiação política que abandonei em desacordo com a estrutura local e Nacional.

No campo desportivo depois de todo este percurso, ficam muitas tristezas, desilusões, mentiras, mas também muitas alegrias, muitas vitórias que superam o que de mau aconteceu, foram 15 épocas como jogador, capitão, treinador e dirigente, foram centenas de jogos feitos com a camisola do União que ninguém poderá omitir ou apagar da história do UFCA.”

A vida de José Simões está também ligada ao comércio e segundo o empresário, “Almeirim modificou-se muito na década de 90, cresceu em habitação e comércio, provocando um crescimento em habitantes, residentes apenas, passou a ser um dormitório, dada a escassez de emprego, o comércio ficou com excesso de lojas, vazias, mas, cresceu em oferta gastronómica, é certo que se resume a uma determinada área, denominada Sopa da Pedra, também é certo que, melhorou as acessibilidades, parqueamento e, também na qualidade da oferta, hoje a Sopa da Pedra de Almeirim é imensamente conhecida, assim, como as caralhotas, o Melão e o Vinho, pelo que se afigura positivamente a certificação destas especialidades.

Também a restruturação da Praça de Touros, decerto, irá trazer mais oferta diversificada, atraindo mais turistas. Justifica-se uma análise à imagem de toda a zona no sentido da sua melhoria em arvoredo a fim de proporcionar melhores condições ambientais e de lazer.

Quanto ao interior da cidade verificou- se desde sempre que apenas serve para o consumo interno. Se fosse Presidente!

Pouco direi, pois, nunca me considerei com capacidades para tal cargo. Mas, sinto que, se a gestão autárquica não estivesse na mão do Partido Socialista, ao longo dos últimos 30 anos, Almeirim seria uma cidade melhor. O atraso no seu desenvolvimento, muito dinheiro público mal utilizado, em obras que ficaram sem a utilidade para que foram projetadas, Parque das Laranjeiras, Centro Rodoviário, Parque das Tílias.

Também liquidou o Mecenato Empresarial, assistíamos ao interesse dos Empresários com livre iniciativas na gestão de várias Coletividades e Instituições e a partir de determinada altura o poder político alterou tudo isso colocando os seus protegidos na direção dessas mesmas Coletividades e Instituições. Obrigando os Empresários a submeterem-se ao seu domínio.

Faltando, também coragem para alterar os arruamentos de várias áreas de Almeirim que em nada dignificam a Por onde anda… José Simões Cidade e a mobilidade dos seus residentes. Dizia um antigo Presidente que, primeiro teria de acabar com todas as ruas em terra do Concelho para depois alterar os empedrados (calhaus), agora que isso já aconteceu, porque não se melhora o que está empedrado.

Daria uma atenção especial ao desenvolvimento da Zona Industrial e Comercial, não me cansando de procurar atrair Empresas pequenas, médias e grandes, a exemplo de outros Concelhos próximos que o têm conseguido.

Depois, procuraria arranjar solução para os problemas dos maus cheiros na zona oeste da cidade, não se pode licenciar uma grande urbanização e, depois, não dar condições de qualidade de vida aos moradores.

Também procuraria projetar condições sustentáveis para a vala de Alpiarça/ Almeirim, que estou certo, terá que ser projetada com a intervenção no leito do Rio Tejo, esta estrutura poderia ser uma área de lazer importante para a Autarquia e seus habitantes, deixando de ter a imagem negativa que se apresenta a quem todos os dias circula na estrada 114, que…pasme-se se encontra interrompida vai para cinco anos nas encostas de Santarém.

Por último e na atualidade, reconheço que a gestão Autárquica tem melhorado. Muitas coisas foram concluídas e outras estão projetadas nas áreas Desportivas, Culturais e Económicas. Não acontecendo o mesmo nas áreas da Saúde. Precisamos de médicos e enfermeiros para que Almeirim tenha um Centro de Saúde a funcionar a tempo inteiro.

Eu, projetaria a abertura de uma Maternidade Moderna nesta Cidade de Almeirim. Finanças, vou esperar para ver o que o futuro nos reserva.”

José Simões

.