Brexit

Que confusão. Na hora em que escrevo este texto, não sei o que a Câmara dos Comuns britânica irá decidir quanto ao futuro do país em relação à União Europeia. Nós, europeus, estamos confusos, mas o povo britânico, segundo parece, O Reino Unido de hoje é um estado fragilizado perante o mundo… ainda mais. David Cameron abriu uma caixa de Pandora de onde saíram todos os males da sociedade britânica: as divisões sociais e geracionais, a dualidade campo-cidade e os nacionalismos latentes. O Reino Unido de hoje é um estado fragilizado perante o mundo. De nação referência da democracia mundial e do sucesso económico, temos agora a imagem de um país dividido e cheio de contradições, por culpa exclusiva dos seus políticos. Os defensores do Brexit, armados de forte retórica nacionalista e populista, salientaram, aquando do referendo, todos os benefícios que a saída da UE traria – benefícios económicos e de soberania nacional, sobretudo – mas omitiram, por descarada má fé ou por (grave) ignorância, as desvantagens e os perigos a que expunham os seus concidadãos. Certo é também, que os opositores da saída se mostraram incapazes na demonstração da realidade futura. No entanto, algo de positivo se pode aproveitar: a UE mostrou neste processo uma unidade de realçar e os antieuropeístas primários bem podem começar a reformular as suas visões do futuro. Poder-se-á afirmar, com grande dose de certeza, que os decisores políticos britânicos puseram os interesses partidários e pessoais à frente dos interesses do seu povo. E o resultado aí está. Será que o povo os irá perdoar?

Gustavo Costa
PS Almeirim

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