Venezuela

A Venezuela está a arder. Estima-se que vivam lá cerca de meio milhão de portugueses e luso descendentes. Se outras razões não existissem, só esse facto, justificaria toda a atenção e preocupação com que por cá se acompanha a situação. Juan Guaidó poderá ser a solução para que rapidamente a paz e o estado de direito regressem à Venezuela. O presidente Nicolás Maduro, herdeiro do patrimônio político e ideológico de Hugo Chávez, tem mostrado todos os tiques de um ditador, apoiado numa cleptocracia de generais-empresários que dificilmente largarão de mão as suas fortunas e privilégios. Não existem ditaduras más porque de direita, nem ditaduras boas porque de esquerda. Porque, simplesmente, não existem ditadores bons. A evidente indiferença que Maduro manifesta perante o sofrimento do seu povo, o seu apego ao poder e cegueira política, demonstram que não tem condições para se manter no lugar. Putin apoia-o. Juan Guaidó poderá ser a solução para que rapidamente a paz e o estado de direito regressem à Venezuela, se não se tornar refém de amigos de ocasião, cujos interesses não são propriamente filantrópicos. O apoio que hoje Trump dá a Guaidó pode, no futuro, transformar-se no “abraço-da-serpente” que irá triturar e engolir a Venezuela. O “mal” da Venezuela é ser um país muito rico – tem as segundas maiores reservas mundiais de petróleo. Há que evitar a todo o custo que se transforme num novo campo de batalha dos interesses económicos e geoestratégicos das grandes potências. Os povo venezuelano espera que os verdadeiros democratas de todo o mundo se unam para evitar que tal aconteça. A Europa tem uma palavra a dizer.

Gustavo Costa
PS Almeirim

.