Liliana Silva deixou a engenharia para se dedicar à medicina chinesa

Como surgiu a ideia de abrir este espaço e porquê em Almeirim?

Eu sempre trabalhei por conta de outrem e já estava há 14 anos na área, mas, entretanto, as deslocações cons­tantes, para longe, quando se tem família com filhos pequenos, começa a ser complicado… Daí surgiu a ideia de trabalhar por conta própria e abrir um espaço. Inicialmente ainda pensei trabalhar juntamente com outras pes­soas, mas depois devido à legislação, que não permite venda de suplementos em espaços clínicos, optei por investir num espaço só meu e cá estamos! Decidi optar por abrir em Almeirim porque os miúdos já estudavam cá, e assim fico perto deles.

O que é que podemos encontrar neste espaço?

Tudo o que diga respeito à saúde a nível de medicinas naturais, mais propria­mente medicina chinesa: acupuntura, tuina, ventosaterapia, terapia termo auricular e, não sendo eu a fazer, tenho uma técnica que faz drenagem linfática e reflexologia podal, porque são coisas que se complementam nas valências que eu já tenho. Muitas vezes a pessoa faz a acupuntura mas tem retenção de líqui­dos, e para a retenção de líquidos, uma drenagem manual, se for feita logo de seguida vai ter resultados muito mais rápidos, é mais por aí, por outro lado, a reflexologia podal ajuda muito aque­las pessoas que às vezes dizem “Ai, eu estou mal, mas não sei bem o que tenho, não sei bem o que preciso”… A reflexo­logia ajuda-nos porque, como o pé tem logo um mapa do corpo, digamos assim, ao fazer pressão em determinados pon­tos consegue-se ver qual é que é o órgão que pode não estar tão bem, e então aí é um trabalho conjunto, a pessoa relaxa, vai sendo logo tratada e nós consegui­mos fazer em conjunto um tratamento vantajoso para cada caso. No caso das crianças, que adoram esta prática, eu até costumo fazer uma coisa: por exemplo, o meu filho anda no futebol e quando um colega dele fez anos pensei no que lhe devia oferecer e optei por uma refle­xologia até para desmistificar e saberem o que é. A criança veio cá e ficou encan­tada, fez a reflexologia, deixou-se dor­mir, porque, lá está, é uma massagem e sabe sempre bem.

Qual é a sua formação?

Tenho licenciatura pré-Bolonha em Engenharia e o equivalente a uma licenciatura em Medicina Tradicional Chinesa, anterior a 2013.

Então tem uma formação que nada tem a ver.

Nada tem a ver, mas foi a porta de abertura. Tenho bronquite asmática e andava em constantes idas ao hospital. Eu tirei o curso de Engenharia Técnica de Produção Agrária e trabalhava numa fábrica a fazer controlo de qualidade com temperaturas baixas e a bronquite espoletou ainda mais. E comecei a fazer a acupuntura quando se começou a falar disso, em 1998, ia a Coimbra fazer os tra­tamentos, porque era o único sítio onde faziam acupuntura ao fim de semana, para eu não faltar às aulas no curso (em Beja), todas as semanas ia a caminho de Coimbra. De início não estava com­pletamente bem e o meu pai chegou a um ponto que dizia que já não sabia o que fazer porque eu ia ao tratamento a Coimbra e tinha de continuar a tomar as bombas (tomava 4 broncodilatadores por dia). Mas foi-nos logo explicado que a medicina chinesa é um processo lento e muitas das vezes, de início, a res­posta do organismo é um retrocesso na patologia, é como se houvesse ali uma luta entre a patologia e o organismo e demora tempo até chegarmos ao ponto que queremos. E numa consulta com o Dr. Pedro Choy, quando ele abriu a clí­nica em Salvaterra, fui à consulta e ele disse-me que, face à patologia, eu tinha de deixar o trabalho, não havia hipó­tese, porque senão ia ser uma bola de neve, nunca mais ia conseguir avançar e comecei a trabalhar com ele. A partir daí comecei a estudar a medicina chinesa e tirei o equivalente à licenciatura. Não se pode dizer que seja uma licenciatura porque não é reconhecida para isso, mas são os mesmos cinco anos, e foi a par­tir daí que depois começaram as clíni­cas desde Leiria, Évora, Lisboa. Eu ia um bocadinho a várias clínicas do Grupo, só que depois vieram os filhos e começava a ser difícil… Era muito complicado.

Qual tem sido a recetividade das pes­soas aqui em Almeirim?

Algumas já conhecia e têm-me acom­panhado sempre no percurso e agora vai aos pouquinhos, é começarem a ver os resultados e depois o passa a pala­vra… Eu sei que agora de início as pes­soas retraem-se, porque na clínica de medicina chinesa os tratamentos são muito caros, e depois há aquela situa­ção… “Se ali é barato é porque não deve ser assim tão bom”. É um pau de dois bicos… Agora é dar tempo ao tempo para as pessoas perceberem o porquê de eu não colocar preços tão altos. Eu prefiro ter mais pessoas a fazer tratamento, ter o meu dia mais ocupado e ajudar o maior número de pessoas possível do que estar com dois ou três pacientes para fazer o valor. Não, o meu espírito não é esse, o meu espírito é conseguir ajudar o máximo de pessoas possível, daí eu ter feito os preços mais em conta.

Porquê este nome?

Terra de Aromas porque a família é praticamente toda da Ortiga, e a Ortiga pertence ao concelho de Mação, que é a terra dos 3 A´s, ( bons ares, boas águas e bons azeites). Assim surgiu “Terra de Aromas” porque é onde nós pertence­mos todos, viemos todos do campo e o campo é que nos dá tudo, e as coisas tradicionais são o mais importante de tudo. A conjugação do nome com a pró­pria terapia e a criação da frase que fiz questão de registar aquando do registo do nome “Terra de Aromas”: “Sinta os Aromas da Terra e Siga a Vida”.

Contactos:

Rua Marquesa D’Alorna 1 (1,18 km)

Almeirim. Tlm: 916 666 169

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