As Praças de Toiros

Almeirim sempre foi uma terra de tradições taurinas, situada no centro do Ribatejo, na sua vasta planície, muito contribuiu para a criação de gado bravo. D. Miguel, a quem chamaram o rei-toureiro, deslocava-se com frequência a Almeirim para atuar nas corridas que o Marquês da Alorna organizava na sua quinta, com toiros de morte. Almeirim terra de tradições, que se fora perdendo, qualquer palmo de terra servia para fazer festivais taurinos; é interessante saber que foram lidados toiros no páteo do Deodato Pisco, local onde está hoje a Crial. Também no local do antigo mercado (Jardim da República) houve corridas de toiros. No largo Manuel Rodrigues Pisco (Largo do Conde) houve corridas; as ruas eram vedadas com carros de bois, galeras e carroças. Em 1916 a Associação Recreativa de Almeirim, construiu uma praça de toiros no largo do Depósito da Água, em madeira e com redondel, onde atuaram Fernando Andrade e José Casimiro de Almeida. Esta praça foi demolida em 1920, e mais tarde surge outra na rua das Faias; os cavaleiros eram amadores e atuavam gratuitamente. Os toiros eram cedidos pela Quinta da Alorna, Prudêncio, Santiago e Irmão e D. João de Mascarenhas. Nos dias das corridas de toiros, Almeirim estava em festa. Em 1935 um violento incêndio destruiu a da Rua das Faias, sendo iniciada de imediato a construção de uma outra (nos terrenos da atual) que foi inaugurado em 1938. Na corrida inaugural atuaram o cavaleiro Alberto Luis Lopes e os espadas João Romão e Augusto Gomes Júnior. Os toiros foram cedidos por Prudêncio da Silva Santos, e as pegas estiveram a cargo do Grupo de Forcados Amadores de Almeirim, composto, entre outros, por Zé Bocage, Ezequiel Correia, João Come-Nabos, Zé Cartaxeiro, Zé das Cabras, António Correia, João Calhambeque, João Garimpa e João de Graça. Outras corridas se realizaram, sendo de destacar a apresentação em Portugal do matador mexicano Carlos Arruza, além do espanhol Pepe Dominguim. Vários festivais se realizaram; uma vacada a favor da União de Almeirim, com o cavaleiro Joaquim Marcelino e os espadas Zeca Martins e Júlio Pina. Os campinos foram Joaquim Gameiro e Carlos Loureiro. Outro festival foi o “Casamento do Sardanapo”, famoso pela sua hilariedade. Em plena praça celebrou-se um casamento. A noiva era um rapaz e os convidados também se encontravam na arena. A certa altura da celebração, soltaram uma vaca, podendo-se imaginar a confusão que se gerou. Foi uma vacada que perdurou ao longo dos anos, com a praça completamente cheia, a rebentar pelas costuras. A praça não satisfazia os desejos dos aficionados, foi demolida, iniciando-se a construção da ora “Monumental” que foi inaugurada em 16 de Maio de 1954.

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