Da Esquerda para a Direita: Ser Cidade

A 20 de junho de 1991, a vila de Almeirim é elevada a cidade, especulando-se que esta alteração de estatuto mudasse a forma como Almeirim seria vista, passando a ser equiparada com as grandes cidades e, quiçá, tornar-se uma delas. Se, por um lado, Almeirim celebra este acontecimento anualmente, outras vilas em Portugal recusam-se a querer que essa data exista no seu calendário, mesmo cumprindo e excedendo todos os requisitos. Falo-vos de vilas como Ponte de Lima, com 42.286 habitantes (dados PORDATA 2016), que se recusa a ter o estatuto de cidade, optando por manter a sua identidade, promovendo uma imagem de marca promocional, como a de “vila mais antiga de Portugal”. A recusa tem contribuído, segundo o Presidente da Câmara, “para a autoestima, para um grande sentimento de pertença e para cada vez maior enraizamento das gentes, que se traduz numa notória fixação das populações”. De frisar que o estatuto de vila não invalida a realização de grandes eventos culturais nem a fixação de indústria (cerca de 500 empresas, com investimentos de milhões de euros), conseguida através da política de benefícios fiscais, criada pelo município como forma de criar condições de maior atratividade para as empresas. Mais do que esbanjar em grandes eventos e obras megalómanas, devemos sim investir nos almeirinenses e no seu futuro, deixando de lado os caprichos socialistas do querer parecer antes do ser, que desnorteiam e descaracterizam aquilo que nos torna únicos: sermos nascidos e criados num meio rural, tão castiço e afoito como Almeirim.

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